A História das Coisas 10/08/2009
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De onde vêm suas coisas? Para onde vão suas coisas? Por que te dizem que você só será feliz conforme mais coisas tiver… E por que você acredita nessas coisas todas?
Dedique 20 minutos da sua vida pra assistir a este vídeo, depois me conte o que achou.
Saiba mais em: www.storyofstuff.com
Dublado:
Legendado:
Tratado dos Anjos Afogados – Marcelo Ariel 04/07/2009
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A entrevista abaixo foi cedida pelo poeta e escritor Marcelo Ariel ao programa Entrelinhas, da TV Cultura. Vale a pena conhecer a obra necessária deste artista, que, entre outras coisas, extrai poesias inspiradas no cenário apocalíptico de Cubatão, seu habitat natural. Em seguida, segue também o belíssimo poema Caranguejos aplaudem Nagasaki, do seu livro Tratado dos Anjos Afogados. Aprecie sem moderação!
* Agradecimentos especiais pra Sabrina Vareiro, que compartilhou mais essa com o blog.
Caranguejos aplaudem Nagasaki
para Gilberto Mendes e Dojival Vieira dos Santos1.
(Vila Socó)
Corpos em chamas se atiram na lama
mulheres e crianças primeiro
caranguejos aplaudem nossa Nagasaki
bebê de oito meses é defumado
enquanto Beatriz
agora entende o poema derradeiro
Beatriz mãe solteira antes de morrer deu um inútil pontapé na porta2.
No ar
gritos mudos
a noite branca da fumaça envolve tudo
alguém no bar da esquina
pensa em Hiroxima
nas vozes
Horror e curiosidade acordaram a cidade
se misturando
dentro do inferno olhos clamam
por telefone
o ministro é informado
– O fogo os consome…
A sirene das fábricas não
silencia
Dois serafins passando pelo local
sussurram no ouvido
Do Criador
“Vila Socó : Meu amor”
Uma velha permaneceu deitada
em volta da cabeça na auréola
o último pensamento passa
o coro das sirenes
no meio do breu iluminado
uma garça voa assustada
com os humanos e seu inferno criado
no mangue o vento move as folhas
Um bombeiro grita:
– Ksl. O fogo está contra o vento. Câmbio.
Foi Deus quem quis
diz o mendigo
que sobreviveu porque estava dormindo no bueiro da avenida
Um orgasmo é cortado ao meio
quando o casal percebe o fogo
queimando o espelho
Voltando no tempo
Lamentamos
o movimento do gás
levíssimo iceberg
que converteu fogo em fogo horror em horror3.
Vila Socó
estacionou na história
ao lado de Pompéia, Joelma e Andrea Dória
Pensando nisso
ergo nesse poema um memorial
para nós mesmos
vítimas vivas
do tempo
onde se movimenta a morte se espalhando na paisagem
como o gás
que também incendeia o Sol (bomba de extensão infinita)4.
Beatriz sentou perto da porta e ficou olhando o fogo. Até
que invade a cena a luz suave de um outro sol frio. Fim de jogo5.
(O que não queima)
Beatriz agora é outra coisa e contempla:
raios negros num céu negro
depois brancos num céu branco
– Suavemente penetrei num jardim onde uma única árvore existe.
(O incêndio acaba e a garça pousa no mangue, onde os anjos sonham)
Naquela noite um acordou
andou nomeio das chamas
e as chamas
O queimaram
Balanço 27/06/2009
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Por Darcy Ribeiro
O Brasil cresceu visivelmente nos últimos 80 anos. Cresceu mal, porém. Cresceu como um boi mantido, desde bezerro, dentro de uma jaula de ferro. Nossa jaula são as estruturas sociais medíocres, inscritas nas leis, para compor um país da pobreza na província mais bela da terra. Sendo assim, no Brasil do futuro, a maioria da gente nascerá e viverá nas ruas, em fome canina e ignorância figadal, enquanto a minoria rica, com medo dos pobres, se recolherá em confortáveis campos de concentração, cercados de arame farpado e eletrificado.
Entretanto, é tão fácil nos livrarmos dessas teias, e tão necessário, que dói em nós… A nossa conivência culposa.
Meu Reino Encantado 20/06/2009
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Compartilho o poema-manifesto criado pelo professor de Geografia da FFLCH/USP, Luis Antonio Bittar Venturi, sobre o contexto da greve dos funcionários, professores e estudantes da USP e seu consequente festival de violência e incoerência.
Meu Reino Encantado
Por Luis Antonio Bittar Venturi (junho de 2009)
Quero uma universidade sem contradições sociais
Gente muito rica aqui, não pega bem. Além do mais,
Fica um elitismo, uma futilidade no ar
Gente muito pobre também não, pode cair o nível
E temos uma imagem a zelar
O ideal é como as coisas estão:
Cheio de árvores e gente de classe mediana
De preferência, vegetariana
Quero liberdade para exercitar minha cidadania,
Sem ter que responder ou pagar por meus atos
A sociedade há de compreender
Porém, se entenderem mal os fatos,
Reservo-me o direito de me lixar
Sem, no entanto, perder meu direito legal de me doer
Pelo mesmo feito de um juiz federal.
Da sociedade sou crítico,
Mas não se pode contaminar
Por uma questão de método
O sujeito com o objeto. Por isso, replico
Quero uma universidade asséptica,
Bloqueada das mazelas sociais, blindada, ética.
Desmatamento? Poluição do ar? Nem um pouco!
Não quero ladrões ou pedintes. Polícia, nem pensar!
Favelas, só de longe. E empresas, então, ficou louco?
Nem penso. Tudo isso só pode lá fora, no mundo pós-muros.
Aqui só cabem árvores e gente de classe média, lato senso
Somos puros.
Contradições ficam de fora, pois atrapalham minha mente
Preciso de paz e liberdade para criar e até pensar nelas
E nos valores que tento impor com veemência, democraticamente
Batalho pela liberdade e por ela empunho bandeiras
Mesmo que a coerência se esvaneça numa ação
Impedindo a liberdade alheia com um amontoado de cadeiras
Reproduzindo o objeto de minha contestação
Quero me preparar bem,
Para um dia devolver à sociedade a formação que estou tendo
Se é que vão querer… pois costumam me criticar.
Que injustiça, que paradoxo! Justo eu, que tão bem a compreendo!
Quando sair… o que vou fazer, não sei bem.
Perceber o lado obscuro dos fatos é minha maior competência
Vou me refugiar no mato, numa teta pública, no teto de alguém
Sem problemas de consciência
Acho que vou continuar por aqui. Não vou embora
A comida é cara lá fora
Médico está pela morte
O aluguel uma vergonha
Por aqui tenho mais sorte
Não se apanha, bem se vive
Além disso, não aprendi a ganhar dinheiro
Pois invadiram o campo de trabalho que nunca tive
Maldito arquiteto e engenheiro!
Mas quero preservar o cidadão crítico que sou
Não venderia meu trabalho ao mercado
Alguém terá que pagar as despesas que dou!
O genitor, a sociedade ou o Estado.
Qual o problema?
Tenho uns colegas que estão aí há um tempão,
Rampa acima, rampa abaixo, são generosos arautos
Convencendo a engrossar o bordão os calouros incautos
Vamos brindar a consciência e blindar o portão!
Caminhando e cantando
Somos todos iguais deste rincão!
Ameaça de bomba da Coréia do Norte?
Refugiados no Paquistão?
Olhei no mapa; é do outro lado do mundo
Ufa, que sorte!
Mataram mais de mil palestinos
Bateram em meninos no centro
Não houve atinos; não foi aqui dentro
Fora mazelas sociais!
Vamos lutar por causas justas e claras
Mas na falta de tais,
Uma figura qualquer já nos mobiliza,
Mesmo que obscura e de duvidosa guisa
Temos que exercitar a cidadania
Seguir o exemplo dos heróis de um dia…
Nossos pais, tios e avôs, esses sim, sofreram de verdade,
Apanharam, foram presos… sumiram da cidade
Tinha consenso, pois a dita realmente era dura
Hoje, a gente tem que dar um jeitinho,
Forçar um pouco a barra, bloquear o caminho
Amarrar nós, fingir amargura
Chamar os fantasmas de volta, propagar a opressão, senão,
O que será de nós?
O presidente norte-americano já é negro
O brasileiro, um homem do povo. Assim não dá!
Guerra fria não tem mais.
Não dá pra começar de novo?
O que mesmo eu vim fazer aqui?
Por um momento fiquei meio confuso…
Ah, sim, me lembrei
Estudar, nas horas vagas,
O meio, a ocupação e o uso.
Temos que amadurecer nosso senso crítico,
Questionar o professor, o genitor e o político
Não reconheço autoridade, nem me submeto a horário
O vocábulo ‘obrigatório’, então…
Nem consta no meu vocabulário
É imposição do capitalismo
Se for pronunciado aqui no meu reino,
Em dez quilômetros de raio, os cavalos vão relinchar
Os livros se desfolharão e, num sismo
As frutas, ainda verdes… ao chão
Não precisamos de conflitos e contradições
São apenas objetos empíricos de estudo
Que utilizamos em nossas lições
Oníricos, podemos recriá-los em tudo,
Enfim, como Deus criou o Homem da lama
Nosso reino encantado é assim,
Cheio de árvores, livros
E gente de classe mediana.
Propaganda (Nação Zumbi) 19/06/2009
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Lembrancinha do amigo Chicó:
Propaganda
Por Nação Zumbi
Comprando o que parece ser
Procurando o que parece ser
O melhor pra você
Proteja-se do que você
Proteja-se do que você vai querer
Para as poses, lentes, espelhos, retrovisores
Vendo tudo reluzente
Como pingente da vaidade
Enchendo a vista, ardendo os olhos
O poder ainda viciando cofres
Revirando bolsos
Rendendo paraísos nada artificiais
Agitando a feira das vontades
E lançando bombas de efeito imoral
Gás de pimenta para temperar a ordem
Gás de pimenta para temperar
Corro e lanço um vírus no ar
Sua propaganda não vai me enganar
Como pode a propaganda ser a alma do negócio
Se esse negócio que engana não tem alma
Vendam, comprem
Você é a alma do negócio
Necessidades adquiridas na sessão da tarde
A revolução não vai passar na tv, é verdade
Sou a favor da melô do camelô, ambulante
Mas 100% antianúncio alienante
Corro e lanço um vírus no ar
Sua propaganda não vai me enganar
Eu vi a lua sobre a Babilônia
Brilhando mais do que as luzes da Time Square
Como foi visto no mundo de 2020
A carne só será vista num livro empoeirado na estante
Como nesse instante, eu tô tentando lhe dizer
Que é melhor viver do que sobreviver
O tempo todo atento pro otário não ser você
Você é a alma do negócio, a alma do negócio é você
Corro e lanço um vírus no ar
Sua propaganda não vai me enganar
A verdadeira dívida externa 10/06/2009
Posted by espaçogeo in Sem categoria.Tags: Guaicaipuro Cautémoc
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Discurso feito pelo cacique Guaicaipuro Cautémoc, em encontro com Chefes de Estado da Comunicade Européia, em 21 de fevereiro de 2003.
Eu, Guaicaipuro Cautémoc, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, vim aqui encontrar os que nos encontraram há apenas 500 anos.
O irmão advogado europeu me explica que aqui toda dívida deve ser paga, ainda que para isso se tenha que vender seres humanos ou países inteiros.
Pois bem! Eu também tenho dívidas a cobrar. Consta no arquivo das Índias Ocidentais que entre os anos de 1503 e 1660, chegaram à Europa 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata vindos da minha terra!… Teria sido um saque? Não acredito. Seria pensar que os irmãos cristãos faltaram a seu sétimo mandamento.
Genocídio?… Não. Eu jamais pensaria que os europeus, como caim, matam e negam o sangue de seu irmão.
Espoliação?… Seria o mesmo que dizer que o capitalismo deslanchou graças à inundação da Europa pelos metais preciosos arrancados de minha terra!
Vamos considerar que esse ouro e essa prata foram o primeiro de muitos empréstimos amigáveis que fizemos à Europa. Achar que não foi isso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que me daria o direito de exigir a devolução dos metais e a cobrar indenização por danos e perdas.
Prefiro crer que nós, índios, fizemos um empréstimo a vocês, europeus.
Ao comemorar o quinto centenário desse empréstimo, nos perguntamos se vocês usaram racional e responsavelmente os fundos que lhes adiantamos.
Lamentamos dizer que não.
Vocês dilapidaram esse dinheiro em armadas invencíveis, terceiros reichs e outras formas de extermínio mútuo. E acabaram ocupados pelas tropas da OTAN.
Vocês foram incapazes de acabar com o capital e deixar de depender das matérias primas e da energia barata que arrancam do terceiro mundo.
Esse quadro deplorável corrobora a afirmação de Milton Friedmann, segundo o qual uma economia não pode depender de subsídios.
Por isso, meus senhores da Europa, eu, Guaicaipuro Cautémoc, me sinto obrigado a cobrar o empréstimo que tão generosamente lhes concedemos há 500 anos. E os juros.
É para seu próprio bem.
Não, não vamos cobrar de vocês as taxas de 20 a 30 por cento de juros que vocês impõem ao terceiro mundo.
Queremos apenas a devolução dos metais preciosos, mais 10 por cento sobre 500 anos.
Lamento dizer, mas a dívida européia para conosco, índios, pesa mais que o planeta terra!… E vejam que calculamos isso em ouro e prata. Não consideramos o sangue derramado de nossos ancestrais!
Sei que vocês não têm esse dinheiro, porque não souberam gerar riquezas com nosso generoso empréstimo.
Nas há sempre uma saída: entreguem-nos a Europa inteira, como primeira prestação de sua dívida histórica.
Da série “Que geógrafo eu quero vir a ser?” (I) 06/06/2009
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Por Sabrina Vareiro
Para responder tal questionamento busquei inspiração em Milton Santos, cuja obra tem profundo comprometimento social e com a qual eu acredito que possa ilustrar mais precisamente, pelo menos até o presente momento, os ideais que tenho enquanto cidadã e enquanto futura geógrafa.
Em seu livro ‘O espaço do cidadão’, Milton Santos afirma: “Em lugar do cidadão formou-se um consumidor que aceita ser chamado de usuário”. Partindo da análise dessa frase tentarei discorrer sobre meu pensamento do papel do geógrafo na sociedade brasileira contemporânea.
Acredito que os problemas que a permeiam como a falta de noção de ética, de cidadania, bem como o não-exercício das mesmas, giram em torno dessa questão central: a de que nós, brasileiros, servimos antes de tudo ao mercado e, mais amplamente, à lógica do capital financeiro voraz, que determina o valor do indivíduo não pelas suas capacidades, mas sim pela sua posição social e pela sua função dentro do mercado, ou seja, se ele é mão-de-obra especializada ou não, se possui alto poder aquisitivo ou não, qual seu grau de acesso à informação, dentre outros requisitos que em nada se relacionam com os valores civis.
Não é de se admirar que atualmente o código de defesa do consumidor seja mais popular entre nós e mais respeitado que a própria constituição. Tornou-se mais importante reivindicar a qualidade de um produto do que ter plena consciência dos direitos civis.
O epicentro dessa crise ideológica que nos assola, creio eu, diz respeito à educação e à maneira com a qual ela vem sendo sucateada.
A desvalorização dos profissionais da educação, a baixa qualidade do ensino, que se estende desde o infantil até o superior, são antes de tudo reflexos do mundo caótico em que vivemos.
Se considerarmos que o patrimônio o qual valorizamos, sobretudo na sociedade brasileira, é material, e dado que a matéria se desgasta, fica evidente a fragilidade dos valores, pois, deixaremos às gerações futuras nada mais que lixo, sucata, já que, somente o conhecimento pode ser chamado verdadeiramente de patrimônio, pois esse não se perde, ou se desfaz, mas sim se transforma, acrescentando progressivamente valores também indissolúveis.
Outro sintoma dessa crise está no tecnicismo, que tomou conta não só da nação, é bem verdade, mas do mundo todo, porém, certamente atingiu proporções estratosféricas no território nacional por motivos históricos, ideológicos, políticos e muitos outros que se unem para formar uma trama complexa.
Vemos que as preocupações dos brasileiros giram em torno de se conseguir uma boa colocação no mercado de trabalho e que, para tanto, os mesmos se ‘alistam’ em instituições cuja única finalidade é a formação mecânica de mão-de-obra barata e especializada, e a consciência de si mesmo e do mundo, bem como a busca pelo esclarecimento é brutalmente ignorada.
Essa alienação, e aqui me lembro de Marx, que diz: “é na vida econômica que alienação tem origem”, deve ser ao meu ver o alvo do educador, já que tanto o problema quanto a solução são indissociáveis da educação.
Já o geógrafo, considerando aqui a dificuldade da definição do objeto de estudo da geografia, tem como missão desvendar os caminhos que levam à superação da atual conjuntura.
As definições que permeiam a ciência geográfica bem como a tentativa de teorização das problemáticas sociais tornam-se obsoletas, ou se reduzem à pura demagogia, quando a prática não é valorizada.
É importante também ressaltar o caráter polivalente da geografia, pois nele encontra-se o valor da ciência, já que ele condiz com a complexidade da sociedade. Esse caráter não permite que seja ignorado relações como homem-espaço, Estado-cidadão, e faz com que a geografia seja, a meu ver, a ciência das interações.
Acredito ser diminuta a produção de conhecimento que ignora o espaço, pois este é quase uma condição de existência, como é possível ser sem tempo e sem espaço? Pois se, como já disse, só acredito na validade do conhecimento se o mesmo produzir transformações, mesmo que sejam transformações internas, superações que dêem movimento ao mundo e ao próprio conhecimento.
Paisagem sonora: Hurtmold 05/06/2009
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Receita musical do amigo Chicó:
“Esse aí é o tal do Hurtmold. Sempre que posso divulgo o som deles. Acho a banda de altíssima qualidade, e com um som bem peculiar. O Hurtmold é uma banda instrumental que, segundo os especialistas – ou não -, faz um som característico pela mistura de rock com jazz (definição que não me agrada muito).
Particularmente, vejo o som deles como algo em movimento. Parece realmente perambular pelo espaço que preenche, e mudar de cor como um maldito camaleão…Ouvindo o som deles ao vivo, que é extremamente diferente do som de estúdio, não se percebe as mudanças da música, simplesmente se sente as mudanças no estômago, percebendo apenas a mudança de sensações. Essa banda me parece bem isso: paisagem sonora. Bom, ouçam e tirem suas próprias conclusões…”
Os cabeças-de-bagre também merecem o paraíso 04/06/2009
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Eis a belíssima crônica “O clássico dos clássicos”, extraída do livro Os cabeças-de-bagre também merecem o paraíso, do jornalista José Roberto Torero.
Indico este texto aos eternos amantes do esporte bretão, que mesmo vendo o futebol ser surrupiado pelo capital e ser transformado num empreendimento corporativo de sucesso, ainda vêem a arte e poesia que sobrou de sua época romântica (que não volta mais).
Agradeço ao cabra-da-peste Prof. Manoel que me nasceu esta obra numa sexta-feira de maio de 2009, quando recitou a crônica no final da aula de Fundamentos de Geografia Humana.
O clássico dos clássicos
Passando os olhos por uma edição do jornal macedônico Alfa e Ômega, de 29 de abril de 312 a.C., descobri que os gregos praticavam o esporte bretão muito antes dos bretões. Copio aqui as milenares palavras para deleite dos meus três leitores:
A final do campeonato deste ano entre os times do Liceu e da Academia foi confusa. Mal começou a partida e os acadêmicos atacaram: Sócrates tocou a esfera para Platão, e este rapidamente a lançou para Pitágoras, que a devolveu para Sócrates, com o que o objeto desenhou um belo triângulo escaleno. Então Sócrates dominou a esfera, girou seu corpo e disparou um venenoso petardo contra o arco inimigo.
O arqueiro do Liceu, Aristóteles, apenas pôde assistir à trajetória do bólido, que bateu na haste superior – à qual os escravos chamam de travessão – e caiu sobre a linha. O problema é que a esfera caiu numa poça d´água, ficando metade para dentro e metade para fora. Imediatamente os jogadores formaram uma roda em torno da esfera e teve início uma emocionante discussão:
“Não poderemos contar esse ponto”, disse o arqueiro Aristóteles. “Só meia esfera está adiante da linha, e, logicamente, uma metade não pode ser uma totalidade.”
Platão rebateu: “Com o devido respeito, brilhante Aristóteles, não há fração que não contenha parte do todo, e, sendo assim, o todo, ao menos em parte, está adiante da linha. Isso nos leva a admitir, ao menos conceitualmente, a existência desse ponto.”
“São sábios os argumentos de Platão”, secundou Epicuro, lateral esquerdo do Liceu, “mas a parte não contém em si o espírito do todo, tanto que, se cortarmos o dedo de um homem, ele cairá no chão, deixando de cumprir suas funções naturais. Daí, concluo que a alma está no todo, mas não na parte, com o que não podemos validar o tento.”
“Pobre é a discussão que fica sem o pensamento de Epicuro”, disse Zenon, túnica 10 da Academia, “porém a animação, no reino inanimado, não se dá por ligação de veias, mas por prolongamento da essência. Logo, se partirmos ao meio uma pedra, uma gota d´água ou a esfera em questão, as duas partes terão idênticas qualidades, o que nos leva a considerar esse ponto como legítimo.”
E assim a discussão arrastou-se por mais uma hora. Nas arquibancadas, os acadêmicos e liceístas vibravam a cada argumento e agitavam freneticamente suas bandeiras.
Porém, quando o carro de Apolo encerrava a sua viagem pelo céu, Beócio, o tosco zagueiro da Academia, irritado com aquela demora deu um tremendo chute na bola, mandando-a definitivamente para dentro do arco adversário. Como a esfera ainda estava em jogo, o juiz Demócrito não teve outra alternativa a não ser validar o tento.
Aristóteles, irado com a atitude antifilosófica de Beócio, não quis mais argumentar e deu-lhe um soco. Depois, Platão chutou Aristóteles, Epicuro mordeu Sócrates, Zenon esmurrou Pitágoras e logo começou uma gigantesca luta, com todos os atletas agredindo-se mutuamente.
Definitivamente, o futebol não é o esporte da razão.
José Roberto Torero é autor do best-seller O Chalaça (prêmio Jabuti em 1995) de Xadrez, Truco e outras Guerras (Coleção Plenos Pecados) e foi uma dos roteiristas do curta-metragem Uma História de Futebol, indicado ao Oscar em 2001. Em parceria com o escritor Marcus Aurelius Pimenta – responsável pela organização da antologia – escreveu os livros Terra Papagalli, Os Vermes e Santos – Um Time dos Céus. Atualmente, Torero mantém um blog no portal UOL, o Blog do Torero. Publica também o Blog do Lelê, seu sobrinho fictício, iniciado durante a Copa do Mundo de 2006.
Fritjof Capra no Roda Viva (TV Cultura) 01/06/2009
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Austríaco, formado em física na Universidade de Viena, FRITJOF CAPRA realizou pesquisas sobre Física e Alta Energia em várias universidades da Europa e dos Estados Unidos. Escreveu muitos ensaios técnicos, mas a partir dos agitados anos 60, influenciado pela contracultura e pelas mudanças nas ciências, passou a se interessar pelas implicações filosóficas da ciência moderna. Tornou-se conhecido por dois best-sellers: O TAO DA FÍSICA, livro onde traçou um paralelo entre a física moderna e o misticismo oriental e O PONTO DE MUTAÇÃO, que trouxe a idéia de que as forças de transformação do mundo possam representar um movimento positivo de mudança social. Seu último trabalho, AS CONEXÕES OCULTAS, busca uma visão de mundo mais social e ambientalista, baseada na vida sustentável. E é sobre este tema que Capra tem se dedicado cada vez mais, alertando que a sobrevivência da humanidade nas próximas décadas vai depender da “Alfabetização Ecológica”. Vai depender do conhecimento e do entendimento sobre como a natureza organizou a sustentabilidade da vida.
30/01/2006
http://www.youtube.com/watch?v=ylnddhIZdTQ
http://www.youtube.com/watch?v=MDeX0YwtUho
http://www.youtube.com/watch?v=MkkCYK3kVzQ&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=nGWzyzmxx7c&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=CfwImA6uVgY&feature=related
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http://www.youtube.com/watch?v=MRTCLyEhwk0&feature=related
